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CONSERVAÇÃO DE RECURSOS GENÉTICOS: UTILITARISMO, PRESERVACIONISMO E CONSERVACIONISMO

A importância da conservação dos recursos genéticos está cada dia mais sedimentada a nível mundial, principalmente depois que o ser humano se deu conta que a perda de diversidade gênica pode levar à extinção de uma espécie.

O entendimento da grande maioria da sociedade cientifica, é o de que os animais em risco de extinção são aqueles pertencentes a agrupamentos ou a raças nativas, o que é um grande equivoco. Almeida (2004), em seu artigo intitulado Teoria das Ilhas Genéticas, propõe que as raças melhoradas devam ser tratadas também como em risco de extinção, argumenta que a perda de GENES causada pela endogamia é mais perigosa que a extinção de uma raça, pois reduz a variabilidade genética e a capacidade de reação a desafios futuros, como mudanças climáticas ou mesmo novas enfermidades.

Com a necessidade de manter à salvo da extinção os recursos genéticos animais e atender à demanda por alimento da crescente população humana, surgiram várias correntes de pensamento, a Utilitarista, a Preservacionista e a Conservacionista. Apesar de terem fundamentalmente o mesmo objetivo, as formas de atuação de cada corrente as tornam assimétricas em seus princípios e resultados.

UTILITARISTA – está presente, principalmente nas raças comerciais melhoradas para atender a demanda de produtos como carne, leite e ovos, tão necessários nos dias atuais. Para alcançar seus objetivos, o Utilitarismo fez uso do melhoramento através de cruzamentos consangüíneos, o que tem por objetivo a fixação do caractere mais produtivo encontrados em um reduzido número de indivíduos. O efeito imediato dessas ações foi a redução na variabilidade genética, resultado no aumento da consangüinidade. O exemplo mais conhecido do efeito do UTILITARISMO foi o melhoramento realizado nos bovinos da raça Nelore, considerados como propulsores da pecuária brasileira e que apesar de um rebanho de mais de 150 milhões de animais, o tamanho efetivo não supera os 64 indivíduos.

São dois os maiores riscos da ação isolada do UTILITARISMO: o primeiro tem relação com a falta de diversidade gênica que possa fazer frente a alguma epidemia, outros desafios naturais ou mesmo a demanda por algum outro tipo de produto, o segundo, trata do aumento nos distúrbios de ordem reprodutiva que são conseqüência direta do aumento da consangüinidade.

PRESERVACIONISTA – tem como objetivo manter a população ou raça em seu estado mais natural possível, com o mínimo de intervenção humana, para garantir uma maior variabilidade genética possível. Na visão do PRESERVACIONISTA, o material genético de uma população ou grupos de indivíduos é considerado como uma biblioteca, onde cada indivíduo é um livro de genes, com suas características peculiares; considera-se como primeiro passo para garantir a sobrevivência de uma raça e não se admite intervenções até que a população esteja fora de perigo de extinção, ou seja, com um numero de indivíduos e uma variabilidade a ponto de expressar toda sua riqueza genética.

Se por um lado, no PRESERVACIONISMO, a variabilidade genética é elevada e o risco de extinção é quase inexistente, por outro, não atende a demanda da sociedade por animais produtivos e economicamente viáveis, uma vez que não passa por nenhum processo de melhoramento artificial. Por não atender à demanda de mercado, a pressão dos órgãos financiadores sobre os núcleos de preservação tem sido devastadora, as novas linhas de pesquisa só aceitam projetos que tenham como finalidade o uso imediato dos recursos genéticos até então preservados. Essa pressão UTILITARISTA sobre os núcleos de preservação pode levar a erros irreparáveis, uma vez que em nenhum momento se estabelecem regras claras, como por exemplo, os critérios para o descarte de animais, seja por serem considerados pouco produtivos ou mesmo pelo simples fato de não possuírem a cor da pelagem esperada.

CONSERVACIONISTA – esta surge como a somatória dos movimentos UTILITARISTA e PRESERVACIONISTA. De uma forma geral considera as duas correntes anteriores como partes integrantes, necessárias e inseparáveis para o desenvolvimento de um programa de conservação de recursos genéticos de forma sustentável.

O UTILITARISMO na visão do CONSERVACIONISMO deixa de ser algo somente imediato, a UTILIDADE passa a ser vista como algo flexível, dependente dos interesses e da visão contextual. Assim, surge a definição de que o material genético pode ter seu valor sob três aspectos, o da UTILIDADE HISTORICA, UTILITADE CONTEMPORÄNEA e UTILIDADE FUTURA.

UTILIDADE HISTÓRICA – Como o nome sugere, baseia-se na importância que a raça ou espécie teve no passado, sua participação no desenvolvimento da sociedade ancestral. Um exemplo clássico seria o Jumento, para transporte de carga substituído pelos veículos automotores, o caso do porco de banha, fonte de gordura para diversos fins e que perdeu seu lugar para o óleo vegetal. Esses animais servem de memória viva de nossas tradições e se isso não for suficiente, devem ser preservados pelo simples fato de que podemos um dia precisar lançar mão dessas ferramentas como resposta a algum colapso no sistema produtivo moderno.

UTILIDADE CONTEMPORÂNEA – Ocorre quando o potencial genético se faz necessário para uso imediato, atendendo a uma demanda que ate então não havia sido sanada. Novas linhagens de frango de corte, suínos com menor espessura na camada de gordura, gado de corte com menor teor de gordura entremeada e galinhas de ovos vermelhos são alguns exemplos de utilidade contemporânea.

UTILIDADE FUTURA – Talvez essa seja a mais importante e de maior dificuldade para o entendimento pela maioria dos estudiosos uma vez que trata de preservar um material genético de potencial desconhecido. É justamente com base no DESCONHECER que devemos preservar, onde a DÚVIDA nos remete a possibilidades futuras, essa é a essência da ciência que fez a humanidade evoluir.

A abordagem do conservacionista sobre o preservacionismo é de que este seja o princípio de todo o processo de conservação, a manutenção dos recursos como um todo, evitando ao máximo qualquer perda na variabilidade genética da população.

O Conservacionismo tem como princípio fundamental de que toda população preservada deva ser submetida a uma gestão genética, de tal forma, que sejam obedecidos os seguintes critérios:

– Conhecer os grupos familiares, ou seja, de maior similaridade genética. Hoje em dia pode fazer uso de uma excelente ferramenta para determinar os graus de parentescos, a genética molecular;

– Com base nas informações de similaridade gênica a população deve ser submetida a um programa de cruzamento orientado;

– Uma vez que seja considerada geneticamente estável, deve-se proceder a busca de indivíduos possuidores de qualidades que atendam à demanda de mercado e posteriormente criados núcleos para que seja iniciado um programa de melhoramento intra-núcleo através da seleção dos melhores indivíduos como progenitores da próxima geração para formação dos sub-núcleos;

– Conseguidos os resultados na seleção dos sub-núcleos, estes devem ser colocados à disposição de criadores que tenham interesse em investir na raça;

– Os sub-núcleos que estiverem nas mãos dos produtores também devem fazer parte do programa de gestão genética da raça, utilizando-se o principio do carrossel durante a substituição de reprodutores nos rebanhos, seja rebanho base, núcleo ou sub-núcleo;

– O monitoramento genético dos rebanhos deve ficar a cargo da instituição detentora do rebanho base (núcleo de preservação).

Um passo muito importante a seguir será organizar os criadores em associações e estimular a adesão de novos criadores através de exposições, leilões e artigos na mídia.

O entendimento dos princípios que regem a conservação dos recursos genéticos é fundamental para que os profissionais da área possam fazer bom uso das ferramentas disponíveis e que possamos obter resultados bem melhores do que os conseguidos até os dias atuais.

 

Marcos Jacob de Oliveira Almeida

Especialista em Conservação de Recursos Genéticos

Doutor em Zootecnia pela Universidade Federal da Paraíba

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